31 dezembro 2004
Fim de ano
Uma sugestão de fim de ano. Vejam o C/2004 Q 2 (Machholz). Observa-se bem com binóculos perto do Touro. Ao telescópio está com um aspecto estranho com uma espécie de anticauda. Podem ver aqui imagens do Pedro Ré.
 
posted by Jose Matos at 15:49 | Permalink | 2 comments
Fim de ano
Agora que o ano termina é altura de lembrar que a Terra deu mais uma volta ao Sol. Que passou mais um ano em que a nossa compreensão do vasto universo que nos rodeia aumentou mais um pouco. Continuamos a fazer perguntas e continuamos explorar. O desejo de entender e de perceber continua por outro ano, por outra década, por outro século. É permanente. Aqui estão as missões mais importantes para o próximo ano.
 
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Cosmos
Já aqui tinha feito a referência à versão portuguesa da série Cosmos que saiu este mês em DVD. Hoje estive a ver o primeiro pacote com 4 DVDs e fiquei espantado com a fraca qualidade que se nota nesta edição portuguesa. Termos mal traduzidos tanta nas legendas como na parte dos menus mostram que a empresa que tratou do assunto fez um mau trabalho nesta edição portuguesa. Parece que foi tudo feito em Espanha e imagino por isso a salada que foi. Esperava mais numa série mítica como esta. Também não gostei muito da qualidade de imagem, mas aqui penso que o problema já será do original. Mas aqui fica a minha nota negativa por esta edição.
 
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30 dezembro 2004
Copérnico
Hoje andei entretido com o Copérnico. Era bom homem e começou uma revolução. Mas ao longo do tempo vamos aprendendo coisas a respeito dele que nem sempre estão certas. Mesmo na escola quando falamos dele, nem sempre falamos bem. Sem querer ensinamos mitos que estão errados. Aqui ficam alguns:

Mito 1 - O sistema ptolemaico estava em crise. É comum ouvirmos dizer que o sistema geocêntrico estava em crise e que exigia cada vez mais epiciclos para corrigir o desfasamento entre o modelo e a observação. Ora isto não é bem verdade. A razão por que alguns astrónomos árabes introduziram mais epiciclos no sistema geocêntrico foi para evitar usar outro tipo de artifícios. De resto, o sistema ia servindo, pois as observações que existiam na época ainda não eram suficientemente boas para pôr o sistema completamente em causa. Além disso, a introdução de epiciclos resolvia apenas o problema dos erros periódicos, mas não dos erros seculares.

Mito 2 - O sistema de Copérnico era mais simples do que o sistema ptolemaico. Em algumas coisas era claramente mais simples, mas noutras nem por isso. Por exemplo, Copérnico continuou a usar epiciclos e até em maior número do que Ptolomeu.

Mito 3Copérnico foi logo atacado pela Igreja. Nem por isso, o livro de Copérnico passou vários anos sem ser proibido pela Igreja. Seria já no tempo de Galileu que o livro seria colocado no Índex, mas aí mais por culpa de Galileu.
 
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Por falar em Marte
Já aqui tinha chamado a atenção para um CD com imagens a 3-D dos rovers que está à venda nos EUA. Hoje estive a vê-lo com calma e realmente as imagens são de um realismo impresssioante. Parece que estamos mesmo lá. Vale a pena comprar.
 
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29 dezembro 2004
Opportunity
O Opportunity aproxima-se do seu escudo térmico. Á direita nota-se a cratera feita pelo embate do escudo no solo. O rover está de volta à planície desolada.
 
posted by Jose Matos at 18:40 | Permalink | 0 comments
28 dezembro 2004
O ponto de luz
Um dia quando a espécie humana desaparecer como todas as outras formas de vida que a precederam, este ponto de luz há-de habitar uma lua laranja. E um dia quando o silêncio perdurar sobre nós e os nossos feitos, este ponto de luz há-de continuar como lembrança da espécie que o produziu. É certo que já não será um ponto de luz, mas uma carcaça velha e corroída numa lua gelada. E um dia quando a Terra for apenas uma bola de pedra perdida no espaço e o Sol uma fornalha gigante no céu da Terra, tudo isto desaparecerá. E mesmo a carcaça velha não será nada no silêncio infinito do espaço. Nem ela nem a mãe dela que a transportou até Saturno. Quem lembrará então os seus feitos? Quem lembrará então este dia em que partiu rumo ao desconhecido? Silêncio, como o silêncio das partidas em que sabemos que quem parte nunca mais regressa. Mas aqui há alegria. Uma alegria pela partida, pela vontade de revelar novos mundos ao mundo.

 
posted by Jose Matos at 02:53 | Permalink | 0 comments
O Verbo
No princípio não era o Verbo, mas sim um silêncio e uma claridade enorme. E desse clarão de energia surgiu tudo o que conhecemos. O Verbo é recente e antes dele uma infinidade de coisas foi no seu silêncio e no nosso desconhecimento. E é nessa imensa história de silêncios e de mistérios que Deus espera ainda habitar. Porque se não houvesse silêncio nem mistério ele não tinha para onde ir. E ficava na rua sem casa nem sítio para estar. E com o frio que está lá fora era capaz de gelar e de apanhar uma pneumonia.
 
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26 dezembro 2004
Primeiro eclipse
Uma imagem daquilo que pode ser o 1º registro de um eclipse do Sol. A descoberta foi feita na Irlanda e podem ver aqui o que leva o autor a dizer que se trata da observação de um eclipse do Sol em 30 de Novembro de 3340 a. C.

 
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Outras escritas
Uma cópia de uma tábua de escrita cuneiforme cujo original deve remotar a 1581 a.C. A tábua relata as aparições do planeta Vénus no céu ao longo do reinado do penúltimo rei da Primeira Dinastia babilónica. Em cada observação existe um presságio. Pensa-se, no entanto, que a tábua possui vários erros de tradução fruto de muitas cópias feitas ao longo de 8 séculos. Também não se sabe ao certo se corresponde a 1581 a.C. Mas mesmo que o original seja mais recente não deixa de ser espantoso que há tantos séculos atrás, alguém se desse ao trabalho de anotar as aparições do planeta Vénus ao longo de 20 anos.

 
posted by Jose Matos at 23:07 | Permalink | 0 comments
A não perder
O número de Janeiro da revista Ciel & Espace. Traz um dossier muito interessante sobre a chegada da Huygens a Titã.
 
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2004
Olhando para trás algumas coisas ficam na memória deste ano.

Mars Exploration Rovers – Uma missão que superou todas as expectativas.

Stardust – Um sucesso um pouco esquecido.

Sedna – Uma descoberta que confundiu muita gente.

Trânsito de Vénus – Uma coisa para nunca mais esquecer.

Cassini-Huygens – Um caso a acompanhar

Génesis – Um fracasso e uma desilusão.

SpaceShipOne – O turismo vai começar?

1 de Junho
-O dia em que os Ovnis andaram a passear por Portugal.
 
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25 dezembro 2004
A caminho de Titã
A Huygens libertou-se hoje. Tomou rumo. Vai sozinha e desamparada. Sabe que vai morrer, mas antes de morrer há-de contar-nos segredos e mistérios da lua laranja. Boa Viagem.

 
posted by Jose Matos at 14:14 | Permalink | 0 comments
24 dezembro 2004
Natal
Em tempos de crise esperemos que o Pai Natal nos traga prendas boas e mais alguma coisa que a gente se tenha esquecido. Bom Natal para todos apoiantes e simpatizantes.
 
posted by Jose Matos at 03:27 | Permalink | 0 comments
Fobos, o condenado
É uma pedra fria e esburacada. A sua superfície guarda a história de muitos milhões de séculos. Não deve ter nascido à volta de Marte. Deve ter sido capturado, adoptado pelo planeta vermelho. Mas está muito próximo do seu pai adoptivo. Uma proximidade mortal. Um dia será despadaçado e feito em bocadinhos. Um dia Marte terá anéis. Os restos de Fobos.

 
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23 dezembro 2004
Fogo das entranhas

Será que Marte ainda tem fogo nas entranhas? Será que ainda há vulcanismo activo? Talvez não, mas há 3 ou 4 milhões de anos podia não ser assim. A Mars Express colheu indícios de lavas recentes no planeta. A ler.
 
posted by Jose Matos at 21:37 | Permalink | 0 comments
De volta ao planalto
Um objecto brilha na paisagem árida. O que será aquilo? A máquina aproxima-se, pensa, reconhece uma parte de si. Sabe que aquele bocado de metal lhe pertence, que a ajudou na descida. Vai examiná-lo para perceber porque está aqui.
 
posted by Jose Matos at 17:18 | Permalink | 0 comments
21 dezembro 2004
Crepúsculo
Um blogue brasileiro cujo nome e layout invenjo.
 
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Contradições do Natal
Há coisas estranhas no Natal. E há mesmo factos que me deixam preocupado pela contradição e pela crueldade. A estrela de Belém e os magos são dessas coisas do Natal que me deixam a pensar. Segundo reza a Bíblia quando Jesus nasceu apareceu uma estrela no céu para guiar os magos que vinham do Oriente. Sempre me pareceu haver exagero nesta história. Esta coisa das estrelas já é velha. Júlio César também teve direito a uma quando nasceu e Eneias, depois ter partido de Tróia, seguia todos os dias a estrela de Vénus. Mas fazer explodir uma estrela para guiar três tipos que vem do Oriente à procura do menino é realmente demais. Não podia o Senhor ter inventado uma coisa menos violenta para guiar os reis magos? Vai logo estourar com uma estrela! Mas já agora diga-se de passagem que não foi a primeira nem última a estourar por causa de um nascimento. Quando Kim Jong-Il nasceu na Coreia do Norte em 1942, conta-se que a natureza também não foi indiferente ao seu nascimento, fazendo surgir no céu um duplo arco-íris e uma estrela brilhante. Mas logo aqui há descriminação. Porque raio o Kim teve direito a um arco-íris + uma estrela e o Jesus só teve direito a uma estrela? Não devia o Jesus ter direito a mais sinais do que o Kim ou mesmo que Júlio César? Que raio de crueldade é esta em que se dá apenas uma estrela ao Jesus (que até foi uma excelente pessoa) enquanto que o Kim (que parece não ser grande peça) leva com um arco-íris e uma estrela?

Mas há mais contradições nesta história que só aparece em Mateus. Em Lucas é um anjo que anuncia o nascimento de Jesus e que manda os pastores à procura da criança na manjedoura. Mas não lhes fala em estrela nenhuma. Ora este anjo se fosse simpático tinha dito logo aos pastores sigam aquela estrela que vão lá ter. Mas não, diz para irem à procura de uma criança numa manjedoura. Faço ideia o trabalho que os pastores devem ter tido naquela noite para dar com o Jesus. E o rei Herodes, esse grande malandro, também não viu a estrela? Parece que não, pois ficou surpreendido com a chegada dos magos que vinham adorar o menino. Além disso, confiou neles e mandou-os saber do menino. Mas não teria sido mais fácil mandar uns soldados à procura do rapaz em vez de confiar nos magos? Este Herodes não era lá muito esperto. Mas a estrela lá indicou o caminho aos magos que não se perderam e na volta já não passaram pelo palácio de Herodes. E hoje lá estão no Presépio com as suas oferendas e a estrela por cima. Mas toda a gente se esquece que esteve para ali o Jesus três dias à espera dos magos para depois receber ouro, incenso e mirra. Ouro é sempre uma boa oferta e dá sempre jeito em tempos de crise, agora incenso e mirra? Para que raio queria o Jesus o incenso e a mirra? Foi uma coisa que nunca percebi. Se lhe tivessem trazido era um cobertor para o aquecer é que eram espertos, agora incenso e mirra? Enfim, são coisas destas que me deixam a pensar toda a noite.
 
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20 dezembro 2004
Rovers
Alguns dos recordes que o Guinness deu ao rovers em Marte:

1- Maiores rovers planetários: cada rover tem 175,4 kg e 1,5 metros de altura, o que os torna os maiores rovers até hoje a pousar num planeta (a Lua não entra nesta conta).

2-Cargas úteis planetárias mais pesadas a pousar com airbags: cada rover levava consigo 543,4 quilogramas de carga útil ao pousar na superfície de Marte.

3-Altitude mais alta atingida num pouso em Marte: aconteceu no dia 25 de janeiro de 2004 quando Oportunity pousou a uma altitude de -1,38 quilómetros.

4-Recorde de velocidade em Marte: 5 centímetros por segundo.

Já agora somava a tudo isto o facto da revista Science ter metido no seu top 10, as descobertas dos rovers como as mais importantes deste ano.
 
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Vamos morrer...
Começo a noite a ler coisas destas:

Vamos morrer e isso faz de nós uns felizardos. A maior parte das pessoas nunca irá morrer porque nunca chegará a nascer. O número de pessoas que potencialmente poderia estar aqui no meu lugar, mas que de facto nunca verá a luz do dia, excede os grãos de areia do deserto da Arábia. Certamente, esses fantasmas não nascidos incluem poetas mais sublimes do que Keats, cientistas mais notáveis do que Newton (...). Contrariando estas probalidades assombrosas, somos nós que, na nossa normalidade, estamos aqui.

Richard Dawkins in "Decompondo o Arco-Íris"
 
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Nuvens em Titã
Afinal o tempo também muda em Titã. Nestas imagens em cores falsas tiradas pela Cassini em dois períodos diferentes podemos ver que as nuvens não estão sempre no mesmo sítio. Na imagem da esquerda nota-se apenas um remendo de nuvens no pólo sul da lua. Mas à direita já se notam nuvens em latitudes mais temperadas. Será que transportam chuva? Será que chove em Titã?
 
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17 dezembro 2004
O Kit da Esa
A Agência Espacial Europeia (ESA), tem disponível em todas as línguas dos países membros, um kit educativo muito interessante sobre a Estação Espacial. É de assinalar o lançamento deste kit na ESA, pois é material que dá muito jeito para quem dá aulas. É claro que a ESA não inventou nada de novo, pois a NASA já tem destas coisas há anos, mas não deixa de ser uma boa notícia para quem se dedica ao ensino da astronomia. O kit pode ser pedido aqui.
 
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16 dezembro 2004
A notícia
Um exemplo de como a linguagem jornalística é por vezes traiçoeira e induz o leitor em erro. A notícia saiu hoje no Público e é da autoria da jornalista Rita Pinto. É uma notícia sobre o lançamento da sonda Deep Impact. A notícia começa assim:

A NASA prevê lançar uma sonda com uma estranha missão: atirar um projéctil para fazer explodir o cometa Tempel 1.

Ora, a notícia começa mal aqui, pois sonda não vai fazer explodir o cometa Tempel 1, mas apenas vai fazer-lhe uma cratera. O que é curioso é que logo a seguir a jornalista muda de discurso e diz que é só a parte de fora do cometa que vai ser destruída.

O objectivo é destruir a camada exterior desta bola de gelo suja, para analisar o seu núcleo, onde devem estar recolhido material que não sofreu transformações desde o início do sistema solar.

Mas logo a seguir volta a dizer que o projéctil que a sonda vai lançar vai rebentar com o cometa.

O projéctil de 372 quilos que fará rebentar o cometa será transportado por uma cápsula em direcção à trajectória do Tempel 1, num percurso total de 431 milhões de quilómetros. A chegada ao cometa está prevista para 4 de Julho (Dia da Independência nos EUA).

E depois volta outra vez a mudar de discurso diz que vai só abrir uma cratera.

O projéctil colidirá com o cometa, criando uma cratera na superfície, com uma dimensão capaz de engolir o Coliseu de Roma.

Ficamos sem perceber se a sonda vai apenas abrir uma cratera ou rebentar com o cometa? Quem conhece a missão já sabe que a sonda não vai rebentar o cometa. Mas quem não conhece vai ficar confuso e talvez a ideia que guarde é de que a sonda vai rebentar o cometa.
 
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A ler
No número de Dezembro da revista Science & Vie, um artigo sobre a estranha dança que Mercúrio tem à volta de Sol. É que este planeta roda sobre si próprio três vezes, enquanto dá duas voltas ao Sol. A razão desta sincronização tem sido um enigma desde 1965, quando esta característica foi detectada no planeta. Dois astrónomos (um deles português a trabalhar na Universidade de Aveiro) decifraram agora o enigma.
 
posted by Jose Matos at 13:43 | Permalink | 0 comments
Mais um
Mais um blogue sobre astronomia a ver aqui.
 
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15 dezembro 2004
Marte a 3-D
E por falar em rovers acabou de sair nos EUA, um CD com 300 imagens a 3-D tiradas pelos dois rovers da NASA. Custa $12.95 e pode ser comprado aqui.
 
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Nas colinas
Os rovers continuam a sua aventura em Marte. O Spirit identificou em Columbia Hills um novo mineral ligado à presença de água. Trata-se de goetite (HFeO2), um mineral que só se forma na presença de água. Não se sabe ainda se este mineral se formou em águas subterrâneas ou em água à superfície. Mas para resolver o mistério, o rover vai continuar a trepar a colina onde está à procura de novas pistas. Os problemas que tinha no motor de uma roda diminuíram, graças ao descanso que lhe deu. Já andou 3944 metros desde que chegou a Marte. A imagem mostra o trajecto na colina.

 
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14 dezembro 2004
Hoje
Hoje à noite temos Nuno Santos na Fábrica Ciência Viva em Aveiro a falar de planetas extra-solares. Uma palestra a não perder.
 
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13 dezembro 2004
Três luas
Três luas zumbem por cima dos anéis de Saturno. Parecem mosquitos luminosos. Mimas é o ponto mais brilhante no centro, Janus é o segundo ponto mais luminoso à direita e Prometeu é o menos brilhante perto dos anéis. Quanto aos anéis faltam palavras para descrever a beleza que se vê.

 
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12 dezembro 2004
Cosmos
Com o Natal à porta saiu finalmente a edição portuguesa da série “Cosmos” do Carl Sagan em DVD. É um gosto revê-la tanto tempo depois. Muito do que lá está já é um pouco datado, mas não deixa de ter o seu fascínio ver algo que apaixonou tanta gente pela astronomia. Ver o homem do casaco de bombazine a falar do Cosmos ou do sistema solar é curioso tanto tempo depois. Hoje séries da BBC como “Odisseia Espacial” ou “Space” estão a anos-luz de distância do velhinho “Cosmos”, mas, mesmo assim, não deixa de ser uma referência televisiva. Tenho em vídeo uma boa parte dos episódios, mas acho que não vou resistir ao DVD. Parabéns a quem teve a ideia de lançar isto em Portugal.
 
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O cometa do Natal
O cometa do Natal. É a primeira vez que vejo um nesta época. O cometa C/2002 Q2 Machholz está um pouco à direita da constelação da Lebre. Não apresenta cauda aos binóculos, apenas coma, mas para um observador experiente é fácil de localizar. Vai tornar-se mais brilhante no fim do mês e por altura do Natal deverá estar com 4.5 de magnitude. Depois no início de Janeiro atingirá o seu brilho máximo com 4.1 de magnitude prevista. Nessa altura passará por Touro e estará bem alto no céu. Este ano está a ser um dos melhores de sempre em termos de cometas. Ainda em Maio se viu bem o NEAT (C/2001 Q4). Além deste, outros 4 passaram pelo céu desde o início do ano, mas com menor visibilidade. A última vez que tivemos um ano assim tão bom foi em 1970. Nesse ano, tivemos 4 cometas, um deles excepcional, o Bennett. Como nasci nesse ano calculo que estivessem a anunciar o meu nascimento. A minha chegada à Terra.

Alguns observadores em Portugal já o apanharam em fotografia. Podem ver aqui e aqui.
 
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10 dezembro 2004
O Caos e as Colunas
A terra, porém, era sem forma e vazia

Génesis, I, 2


O caos era jovem, ainda

não havia

cabelos brancos nos cometas

o colo da noite, as mãos

da noite

eram a única nudez


O verde não trocava com o azul

nuances de mar e céu

não havia nada nem cor

de terra, ninguém

como nós, um véu

distendia a face do abismo


Colunas gregas seriam um sonho

de lucidez, uma dádiva de Deus

para a tortuosidade

Do homem.


João Tomaz Parreira

 
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Mais anãs
O David A. Kornreich dá mais uma achega sobre a morte das anãs vermelhas. Chama atenção para o facto destas estrelas serem completamente convectivas, o que significa que o H e o He do núcleo são espalhados por toda a estrela.


It's unclear whether fully convective red dwarfs would ever become true redgiants. Larger main sequence stars become red giants through a process that takes advantage of the difference in chemistry with radius in the star. Since red dwarfs are fully convective, there is not ever any such chemistry gradient. So I don't think we really know whether red dwarfs become red giants. Nevertheless, they will run out of nuclear fuel at some point, and at that point at least their cores must become degenerate.


No mesmo sentido o Mário Monteiro do CAUP/Porto chama atenção para o facto destas estrelas não terem um núcleo bem definido em relação ao resto da estrela. Daí que é toda a estrela que morre como já tinha referido aqui. Parece-me, no entanto, pouco provável que toda ela se transforme numa esfera de gás degenerado, pois só na parte mais interior é que deve existir pressão para isso.


Apenas as estrelas que chegam ao ramo assimptótico das gigantes é que estão em condições de dar origem a nebulosas planetárias. Se assim é, então apenas estrelas do tipo solar (que completam a combustão do hélio em carbono) é que podem estar na origem das nebulosas. Para as estrelas no limite inferior de massa não podemos falar em núcleo e envelope, pois a estrela é totalmente convectiva - isto é o gás é totalmente misturado numa escala de tempo muito curta quando comparada com o tempo de combustão do hidrogénio. Tal significa que toda a estrela "é o nucleo" já que a convecção garante que todo o hidrogénio é levado até ao centro para ser transformado em hélio. Como consequência creio que a anã de gás degenerado que resulta de uma anã vermelha terá basicamente todo o gás original da estrela (mas agora na forma de Hélio).

E já agora não resisto a meter aqui uma última resposta a este tópico que estava meio esquecido nos meus arquivos dado pelo Tim O Brien de Manchester.

yes, red dwarfs will end up as white dwarfs after ejecting a planetary nebula. Brown dwarfs never start nuclear burning so are not true stars and therefore don't evolve into something else - they'll gradually fade away over 10-20 bilions of years or so ending up as black dwarfs.

E acabo por aqui este debate. Obrigado a todos que responderam à minha provocação.
 
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08 dezembro 2004
Outra vez as anãs
Continuando com a discussão em torno da morte das anãs vermelhas e castanhas o Jeff Mangum diz o seguinte:

Red Dwarfs are actually lower-mass cousins of White Dwarfs. Red dwarfs are stars with less than about 0.5 solar mass. These low-mass stars will never be able to fuse helium even after the core ceases hydrogen fusion. There simply isn't a stellar envelope massive enough to bear down enough pressure on the core. Proxima Centauri is an example. Red Dwarf stars live for hundreds of billions of years. When nuclear reactions eventually cease in their cores, they will continue to glow weakly in the infrared and microwave part of the spectrum for many billions of years.

Quando lhe perguntei se elas se transformavam em anãs brancas de início diz:

No, they do now. Red Dwarfs simply cool slowly for a long time.

Mas depois explica-se melhor e diz que realmente as anãs vermelhas podem transformar-se em anãs brancas ao fim de muito tempo.

It is a matter of timescales. Most stars end up as white dwarfs, butthe lowest mass stars (red dwarfs) take an extremely long time toevolve from their stellar states to the white dwarf stage. In fact,according to our current understanding of stellar evolution, thesestars take so long to evolve into white dwarfs that even one bornclose to the beginning of time (some 10 to 13 billion years ago),would still have not reached the white dwarf stage. People haveactually measured the numbers of these M and K dwarfs in the Galaxy's halo. There are very few, and it is possible that there are many times as many white dwarfs in the halo as one would expect based on the numbers of M and K dwarfs in the halo. That statement assumes that the stars in the halo formed exactly the same way as stars are forming now in the Galaxy's disk.

A ideia com que fico depois desta conversa é que realmente as anãs vermelhas podem transformar-se em anãs brancas ao fim de muito tempo através de contracção gravitacional. Mas não deixam de ser umas anãs brancas especiais, pois não estão expostas. Ou seja, o que teremos no fim da vida de uma anã vermelha é uma estrela contraída com uma parte mais interior de matéria degenerada. Mas esse caroço de matéria degenerada estará preso dentro da estrela, não estando visível como acontece no caso das nebulosas planetárias.

Sobre isto o Jeff apenas diz o seguinte:

It is not clear to me that the theory is this well developed.

E este parece-me ser o grande problema da morte de estrelas de baixa massa. É que além das teorias estarem pouco desenvolvidas a esse nível, não existem provas observacionais, pois ainda não morreu nenhuma anã vermelha nem nenhuma anã castanha desde o início do Universo. Sendo assim, parece-me que podemos encerrar este debate. Penso que a corrente que defende que elas se transformam em anãs brancas está obviamente correcta e que essa transformação ocorre sem estrela passar pela fase de gigante vermelha, pois não tem energia para isso. A morte vai acontecendo lentamente por contracção até o interior mais profundo se transformar numa anã branca enclausurada. Quanto às anãs castanhas, fica a dúvida. Talvez não cheguem a uma fase tão avançada.
 
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Mais um
Mais um blogue de astronomia. A ver aqui.
 
posted by Jose Matos at 13:34 | Permalink | 0 comments
Cometa Machholz
Um cometa descoberto este ano está agora a tornar-se visível nos nossos céus. Trata-se do cometa C/2004 Q2 Machholz e pode ser observado num local escuro. O cometa está na constelação de Eridano à direita de Orionte e a partir das 21h00 já se vê com binóculos na direcção do sudeste. O cometa atingirá o ponto mais próximo da Terra na noite de 5/6 de Janeiro, atingindo nessa altura os 51 milhões de quilómetros de distância. No dia 7 de Janeiro passará apenas a 2º das Pleiades em Touro. Um encontro a não perder. Em Portugal, já foi visto e sua magnitude foi estimada em 5.7. Significa isto que está no limite da vista desarmada. Portanto, convém usar binóculos para o ver.

 
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06 dezembro 2004
10 anos de pregação
Há tempos tive que ver quantos cursos de astronomia e ciências afins tinha dado ao longo destes 10 anos de actividade. A conta chegou a 68 cursos e a qualquer coisa como 1489 horas de formação. Se eu pensar agora que cada curso teve uma média de 20 pessoas dá 1360 pessoas. Se descontar o facto que 25% das pessoas transitaram de uns cursos para os outros, dá à volta de um milhar. Nada mau para quem leva 10 anos disto, pensei cá para mim. Mas o mais importante nesta conta foi o milhar de pessoas que teve contacto com a astronomia. Foram todos aqueles que nunca tinham espreitado por um telescópio, ou que nunca tinham visto Júpiter e Saturno ou que não sabiam como morria o Sol ou que não percebiam nada de galáxias ou que não sabiam o que significa estar em órbita. Muita desta gente guardou as minhas pobres palavras. Sei que muitos esqueceram aquilo que ouviram, mas alguma coisa fica sempre. Outros ficaram mesmo apaixonados pelo tema e tornaram-se amadores. Mas toda esta gente deu-me sustento, pior ainda, pagou para me ouvir falar. Acredito que no meio de tantas horas e de tanta gente alguns terão dado por mal empregue o seu dinheiro e o seu tempo. É um facto que nunca ouvi queixas, mas é impossível satisfazer tanta gente. Sei que nem sempre fiz o melhor que sabia, sei que nem sempre estive à altura das expectativas ou das perguntas, sei que poucas vezes estudei a lição, mas lá me safei o melhor que pude. Com o tempo, lá fui melhorando a performance, a capacidade de convencimento, as propostas para que a astronomia não fosse sempre a mesma coisa. E como o negócio continua florescente e os clientes gostam do produto creio que não me tenho saído mal. Mas gosto sempre de agradecer a este milhar que votou em mim, que pagou para ouvir um tipo que não conheciam de lado nenhum. Agradeço a paciência, o interesse, o gosto, as horas e as noites perdidas. Tudo por causa da astronomia, tudo por causa dessa coisa infinitamente monstruosa a que chamamos Universo. Não diria que esta coisa interessasse tanta gente, que houvesse um milhar disposto a isto. E já agora junto mais um milhar de outros tantos que têm aparecido no Astronomia no Verão ou em palestras que fiz por ali e por acolá. E já agora junto mais uns milhares de miúdos nas escolas que um dia também tiveram que me ouvir. Tanta gente, tantas horas, tantas palavras gastas, tanto sítio onde estive. O que fica depois de tudo isto? Terei dito alguma coisa de especial, alguma coisa que os fez pensar? Terei deixado alguma memória, alguma lembrança, alguma recordação? Quero acreditar que sim. Que alguma coisa ficou nestes 10 anos de pregação.
 
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03 dezembro 2004
+Anãs
Mais uma resposta sobre a questão das anãs vermelhas e castanhas do David A. Kornreich da Humboldt State University. É interessante o seu ponto de vista, pois diz que não é preciso muita coisa para termos uma pressão de degenerescência. Já agora convém dizer a este respeito que a matéria submetida a pressões extremas, como no caso das anãs brancas ou estrelas de neutrões, cria uma pressão repulsiva que não é motivada pelos movimentos das partículas (devido à temperatura), mas sim pelo movimento das partículas devido a efeitos quânticos. Essa pressão é chamada pressão de degenerescência. Está bem explicada aqui.


Our theories of stellar structure do predict that red dwarfs will eventually end their lives as white dwarfs, composed of degenerate matter. On the other hand, the lifetime of a red dwarf is much longer than the current age of the universe, so none of them have died yet. Similarly with brown dwarfs; they too collapse until they become degenerate.You really don't need that much mass to produce degeneracy. The only requirement is that no nuclear reactions are taking place and the gas pressure is higher than any chemical process can sustain. Thus the gas then collapses until degeneracy can sustain it. Jupiter, for instance, is supported predominantly by degeneracy pressure, as is Saturn. In fact, any gravitationally bound, inert object of about a Jupiter mass or more will eventually have to become degenerate.
 
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Odisseia Espacial II
Sei que a RTP tem muitos defeitos, mas por vezes cumpre bem o seu papel de televisão pública. Na próxima semana, a partir de Terça, vai passar em horário decente a famosa série da BBC "Odisseia Espacial". A programação pode ser vista aqui. Não deixa de ser um atitude louvável numa televisão pública. Passar uma série científica em horário acessível não é todos os dias. Aqui fica a minha vénia para quem teve a ideia.
 
posted by Jose Matos at 19:32 | Permalink | 0 comments
02 dezembro 2004
Anãs V
Continuando com a discussão das anãs vermelhas, Travis Metcalfe diz-me que realmente as anãs vermelhas se transformam em gigantes vermelhas e explica o processo. Se ele tem razão ou não é coisa que ainda não sei?


A red giant expands when hydrogen is burning in a shell around the degenerate helium core. As this core contracts under the influence of gravity it releases extra heat that causes the hydrogen shell to burn faster -- releasing the extra energy that puffs up the outer layers. So it should work the same way in a red dwarf. Shedding the outer layers entirely requires a stellar wind -- and we don't really know what causes these winds in more massive stars, so it's unclear how that process would translate for red dwarfs. There is no direct observational evidence of the process because the main sequence lifetime of a red dwarf is longer than the present age of the universe. So helium core white dwarfs are currently only formed in binary systems, where it is easy to strip off the outer layers.
 
posted by Jose Matos at 13:58 | Permalink | 0 comments
De novos os anéis
Há qualquer coisa de fabuloso nestes anéis. Há qualquer coisa que nos deixa extasiados perante a imponência, perante a vastidão. Apetece saltar para cima deles.

 
posted by Jose Matos at 13:49 | Permalink | 0 comments