29 novembro 2004
Anãs IV
Este debate sobre a morte das anãs vermelhas está muito interessante com praticamente três correntes de opinião. Uma que diz que as anãs vermelhas chegam à fase de gigante vermelha e nebulosa planetária acabando depois como anãs brancas. Outra que diz que elas nunca chegam à fase de gigante vermelha, mas que mesmo assim acabam em anãs brancas por contracção gravitacional. E finalmente há mesmo quem diga que elas nunca chegam à fase de anã branca.

Red dwarfs are only massive enough to fuse hydrogen into helium. They will never fuse heavier elements, so the core of helium will simply grow larger as the star gets older. At the end of their lives, a low mass helium core white dwarf will result -the degenerate remains of the red dwarf star's core. It becomes degenerate because no other source of outward pressure is available - the helium is not hot enough to fuse. In single stars, this process takes many tens of billions of years, so the process in still ongoing. In binary stars, transfer of mass between the two stars can speed the evolution -and we do see helium core white dwarf stars in binarysystems.

Brown dwarfs remain brown dwarfs forever -- they just slowly cool overtime.

Travis; High Altitude Observatory


Yes, the red dwarfs one day become red giants. Red dwarfs are small cool stars, when they run out of hydrogen in the core they will expand as Sun like stars do and presumably become redder giants (i.e. they will be cooler, redder red giants than Sun like stars). The details of exactly how stars go through the red giant phase does depend on their mass, so there are likely to be some differences between what happens to Sun-like stars and red dwarfs. I don't know what the details are, though I think that it is likely that they would form planetary nebulae. The remaining core will be much less luminous than the bigger stars though and so the nebulae itself would probably be less spectacular in optical light.

Simon Ellingsen : Lecturer in Physics/Radio Astronomy, University of Tasmania


No, red dwarfs do not become white dwarfs. However, red *giants* do. Stars like the Sun (and more massive) will go through the stage of beinga red giant before becoming a white dwarf. Red dwarfs have very very VERY long lifetimes, so in fact the oldest red dwarfs are still red dwarfs. 100 billion year lifetimes are the standard. In the long run, they'll just run out of hydrogen in the core and cool off to become balls of hydrogen and helium that don't emit anything beyond a little infrared radiation.

Brown dwarfs are fairly similar, in some sense, to red dwarfs except that they've never been a star (meaning they never burned hydrogen). So they just get cooler with time.

The friendly wwwastro person; New Mexico University
 
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Uma boa descoberta
Devo confessar que na altura não dei a devida a importância à notícia. Em 18 de Outubro, um grupo liderado por George Rieke da Universidade do Arizona anunciou que tinham descoberto a existência nuvens de poeira à volta de estrelas com 10 a 100 milhões de anos de idade, onde pelos vistos continua a decorrer a formação de planetas através de processos de acreção. Ora era de esperar que os processos de formação planetária em estrelas com 100 milhões anos já tivessem decorrido e que já não fosse possível encontrar em estrelas desta idade nuvens de pó resultantes das colisões entre corpos rochosos. A sua existência mostra que os processos de acreção e colisão podem demorar 100 milhões de anos até à formação de planetas, ou seja, parecem estar de acordo com aquilo que vemos nos modelos de simulação. Ora um dos problemas que a teoria da acreção tinha para explicar a formação dos planetas era justamente a falta de tempo, dado que não se viam discos de poeira em estrelas com 100 milhões de anos. A sua existência reforça obviamente a teoria da acreção e diz-nos que este processo pode ser demorado tal como acontecia nas simulações em computador quando se tentava recriar este processo. É claro que isto não significa que o modelo da acreção esteja completamente certo, mas é uma boa descoberta para percebermos melhor como é que os planetas nasceram.

 
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E depois de 2006?
Custa dizer isto, mas este governo não ficará muito conhecido pelas obras que fez na ciência. Os dois primeiros anos foram de escassez com quotas em atraso ao ESO e ao CERN, com problemas de financiamento a vários níveis, com institutos a fechar por questões financeiras, com regressão na divulgação científica, com crispação entre cientistas e governo. A ministra lá foi dizendo que a culpa era do PS que devido a irregularidades administrativas tinha levado a que a Comissão Europeia congelasse os fundos para a ciência. É um facto que isso aconteceu, mas levar dois para clarificar a situação junto de Bruxelas também parece ser tempo demais. Entretanto, pelo caminho o governo aproveitou para reformular os programas operacionais do III Quadro Comunitário de Apoio, o que permitiu uma canalização de novas verbas para a ciência que não lhe estavam à partida destinadas. Vão caber-lhe assim 581 milhões de euros, no novo POCTI reestruturado. Diria que são boas notícias como é óbvio, mas, mesmo assim, parece que não conseguem compensar os cortes dos últimos dois anos. Daí que muita gente esteja apreensiva e à espera de ver o que acontece até 2006. Para já, a divulgação científica parece que vai voltar ao normal com o Ciência Viva a funcionar como noutros tempos e mesmo com algumas novidades na FCT. Mas o que me preocupa mais é depois de 2006 com o fim do III QCA. Por exemplo, a Região de Lisboa e Vale do Tejo, vai deixar a partir dessa data de ser financiada pelo QCA. E só nesta região está metade da comunidade científica. Como é que vai ser depois? E como é que vai ser quando as verbas para a ciência diminuírem no IV QCA? Vai o governo investir mais na ciência para compensar a perda? As dúvidas são mais que muitas e os próximos dois anos podem apenas ser uma calmaria antes da tempestade que se avizinha. Portanto, aproveitem enquanto dura. Isto se não houver eleições antecipadas.
 
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27 novembro 2004
Anãs III
Continuando no tema das anãs vermelhas, Jim Kaler confirma que as anãs vermelhas nunca passam pela fase de gigante vermelha nem de nebulosa planetária e que mesmo no caso do Sol há dúvidas se um dia dará origem a uma nebulosa planetária.


From what i recall about models of these stars, the just sort of fizzledown to wd's without becoming red giants, and will not make planetary nebulae. There is even some debate about whether the sun is massive enough to make one. We still don't know as the theory of stellar winds is still not very good.
 
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26 novembro 2004
Anãs II
Mais alguma informação sobre anãs vermelhas que ajuda a esclarecer melhor este tópico e que confirma a ideia de que estas estrelas chegam mesmo à fase de anã branca, mas sem passar pela fase de gigante vermelha. Portanto, parece que se trata unicamente de um processo de contracção gravitacional, mas que não leva a estrela à fase de gigante vermelha nem de nubelosa planetária. O tema continua.


A red dwarf is a small star on the main sequence, either late K or M spectral type. They have a diameter and mass of less than one-third that of the Sun (down to 0.08 solar masses, which are Brown dwarfs) and a surface temperature of less than 3,500 K. They emit little light, sometimes as little as 1/10,000th that of the sun. Due to the slow rate at which they burn hydrogen red dwarfs have a enormous lifespan, estimates range from a tens of billions up to trillions of years. Red dwarfs never initiate helium fusion and so cannot become red giants, the stars slowly contract and heat up until all the hydrogen is consumed. In any event, there has not been sufficient time since the big bang for red dwarfs to evolve off the main sequence. Red dwarf stars are believed to be the most common star type in the universe. Proxima Centauri, the nearest star to the Sun is a red dwarf, (Type M5, magnitude 11.0) as are twenty of the next thirty nearest.
 
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Anãs
As anãs vermelhas e castanhas são estrelas de baixa massa. São muito ténues e apenas as primeiras conseguem fazer fusão nuclear. Como é que estas estrelas morrem? É algo que não aparece muito na literatura. Decidi por isso falar com algumas pessoas para saber a sua opinião. Aqui estão as primeiras impressões. Já tinha a ideia de que as anãs vermelhas podiam morrer na forma de anã branca e que as anãs castanhas nunca podiam lá chegar. Pelas opiniões colhidas parece-me óbvio que as anãs vermelhas chegam mesmo à fase de anã branca (ao contrário do que diz o Geraint Lewis) e que as anãs castanhas nunca se transformam em anãs brancas. O tema continua nos próximos dias.


Low mass stars like red dwarfs and the even lower mass brown dwarfs just fizzle out at the end of their lives, and don't leave a white dwarf, just a rather dark corpse. It takes a more massive stars to leave a white dwarf, neutron stars and eventually black holes.

Geraint Lewis; Dept. de Física da Universidade de Sydney


It is thought that all stars except for the large mass ones will end their lives as white dwarfs. The lives of red dwarfs are so long that almost none of them have yet turned into white dwarfs. A 0.5 solar mass red dwarf is calculated to have a life of 56 billion years before it turned into a white dwarf, much longer than the currently accepted age of the universe!

A brown dwarf would not turn into a white dwarf because it would not have the mass or density to produce a planetary nebula and become degenerate.
Brown dwarfs would just slowly cool into something like a massive Jupiter type planet. The exact mass limit between a brown dwarf and red dwarf is uncertain, but below about 0.08 solar mass, the fusion of H to He cannot occur.

James G. Hill, Rainwater Observatory & Planetarium


Yes, red dwarf's will end their life as a white dwarf. Any star which is big enough to have hydrogen fusion in the core (i.e. bigger than a brown dwarf), but not big enough to undergo a supernovae (i.e. less than about 5-8 times the mass of the Sun) will end as a white dwarf. A star on the main sequence (burning hydrogen in the core) is in balance between the force of gravity trying to compress it and the radiation pressure due to the fusion in the core. When the star runs out of fuel (the details of which are quite complex) there is no longer radiation pressure to fight of gravity and the star contracts. What eventually stops it is something called electron degeneracy pressure. Basically the Pauli exclusion principle limits how close two electrons in the same quantum state can be to each other. So this is the fate of all small stars, although for the very small stars the evolutionary process takes a very long time and the Universe is not old enough for them to have become white dwarfs.

And in the case of brown dwarfs? Do they end in something?

I don't know much about brown dwarfs (so this is my best guess, not hard facts). I think that the answer is no, a brown dwarf is too small to have nuclear fusion in the core and so it can't evolve the way a normal star does. I guess that over time they must get colder, but I think that they remain small clumps of dense gas which gradually cool over time.

Simon Ellingsen University of Tasmania


Red dwarfs should end as degenerate white dwarfs as i suspect would the more massive brown dwarfs. I am not sure about the lower mass brown dwarfs though, and would have to dig into the literatrure on that. It has of course not yet happened, as the main sequence as the time scales are too long. But i do want to look into this more.

Jim Kaler University of Illinois
 
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Em Aveiro
Começou esta semana em Aveiro um ciclo de palestras sobre astronomia na Fábrica Ciência Viva.
 
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25 novembro 2004
Finalmente
O Ciência Viva para as escolas vai abrir em Janeiro, anunciou ontem a ministra da Ciência. A partir de Janeiro, as escolas poderão candidatar-se a cinco milhões de euros para projectos que ponham os alunos a mexer com a ciência. Depois de uma longa ausência é o regresso de um programa que fez sucesso noutros tempos.

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) anunciou ainda a abertura de um concurso para a criação de conteúdos de divulgação científica. Destina-se a apoiar desde exposições, livros, colóquios até programas de televisão e rádio, explicou Graça Carvalho. "Está aberto a toda a sociedade. Podem concorrer universidades, empresas, organizações não governamentais." Até 2006, haverá 35 milhões de euros para a divulgação científica, no âmbito da reformulação do Programa Operacional para a Ciência e a Inovação.

Tudo isto são boas notícias para a divulgação científica. As coisas voltam finalmente à normalidade.
 
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22 novembro 2004
Odisseia Espacial
Uma viagem pelos planetas em género da aventura. É o que podemos ver na nova série da BBC sobre exploração planetária. Efeitos especiais fantásticos. Esperemos que alguma televisão cá em Portugal se lembre de passar isto em horário nobre.
 
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21 novembro 2004
Semana da Ciência
Começa hoje a semana da Ciência e Tecnologia. Vou estar envolvido, por isso, não se esqueçam de aparecer.

Ciência Viva

Universidade de Aveiro
 
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18 novembro 2004
O Observatório de Coimbra
O Observatório Astronómico de Coimbra (OAUC) devia ser como todos os observatórios localizados em cidades, uma instituição voltada para a cidade e para o público em geral. Possui uma biblioteca de grande valor, um espólio científico muito interessante e instalações que podiam ser melhor aproveitadas para esse fim. A investigação que se faz resume-se ao grupo de Física Solar e de Física Estelar, embora as publicações nesta área se resumam praticamente a um único investigador (João Fernandes), o que mostra que a investigação é muito reduzida centrando-se apenas numa única pessoa. Quando falo de investigação refiro-me obviamente a artigos publicados em revistas de referência. Seria obviamente possível desenvolver esta área se houvesse uma aposta clara na investigação com mais investigadores e melhores meios técnicos, mas esse não parece ser o caminho escolhido. Há décadas que o OAUC definha sem um projecto mobilizador e com a estranha sensação de que a falta de iniciativa se tornou a linha de acção dominante. Com a investigação tolhida pela falta de meios e de pessoas, havia uma outra parte que podia ser desenvolvida com menores custos que era a divulgação científica da astronomia. Mas também aqui todos parecem acomodados à situação reinante e tirando iniciativas pontuais no passado (como compra de um planetário portátil; Astronomia no Verão ou conferências) nunca houve um projecto coerente e contínuo no tempo que tornasse o observatório uma instituição aberta à cidade e ao público em geral. E com a passagem até ao fim desta década do espólio científico do OAUC para o futuro Museu das Ciências de Coimbra, as possibilidades do OAUC desenvolver alguma coisa a esse nível diminuem mais ainda. Parece, por isso, que aquilo que se desenha neste momento é o fecho do OAUC. O terreno onde está instalado é valioso e acredito que mais tarde ou mais cedo venha a ser vendido para a construção imobiliária. Por isso, não lhe dou mais do que 10 anos de vida. Duvido que ainda lá esteja ou exista em 2014!
 
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30 milhões e mais qualquer coisa
As notícias que surgiram no início desta semana de que finalmente o Programa Operacional para a Ciência, Tecnologia e Inovação (POCTI), vai ter 30 milhões de euros para a divulgação científica são um bom sinal para o futuro. Esta e outras verbas têm estado retidas na Comissão Europeia e só agora é que vão ficar disponíveis mediante acordo com o governo. Não se sabe ainda a quem que nos devemos dirigir para ter acesso a estas verbas, mas parece que vamos voltar à normalidade. No entanto, uma coisa me parece óbvia, o Ciência Viva, não será a entidade gestora. Portanto, não vai voltar haver Ciência Viva. Não sei o que virá aí (nem o governo sabe bem?), mas concerteza não será o Ciência Viva.

Outra notícia agradável é a criação do Museu das Ciências de Coimbra, embora tenha as minhas dúvidas sobre o tempo que vamos esperar para ver isso. O futuro museu será instalado no Laboratório Chimico e no Colégio de Jesus. O Laboratório Chimico, deve abrir ao público em 2006, com uma exposição permanente chamada: Enigmas da matéria: das estrelas aos átomos. Mas a abertura do Colégio de Jesus com exposições, reservas museológicas, espaços laboratoriais, um restaurante e uma biblioteca do livro científico antigo, pode demorar mais de seis anos, ou seja, só lá para 2010. Neste futuro museu, o espólio do Observatório Astronómico passará para lá, o que significa talvez o fecho do observatório e quem sabe a venda dos terrenos para construção, o que não deixaria de ser um bom negócio para a universidade. Dirão que estou a exagerar e que o observatório jamais fecherá. Mas é o que vamos ver. Não lhe dou mais que 10 anos de vida.
 
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17 novembro 2004
Escola
Uma escola. Passar o dia numa escola. Nem sempre me acontece, mas ontem cumpri o meu dia numa delas. A falar do espaço, da vida dentro de uma nave, da comida dos astronautas. Alguns ouviram o que eu disse, outros nem por isso, mas o dia correu bem e foi frutuoso. Durante uma hora viram coisas pouco comuns. Durante uma hora sonharam um pouco com espaço, com a ausência de peso, com a chegada à Lua. Podem não ter retido tudo o que disse, mas fica sempre alguma coisa. Mas reconheço que não é fácil trabalhar numa escola todos os dias. Lidar com miúdos todos os dias. É preciso paciência é preciso cansar a voz.
 
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Hoje
Hoje como ontem é daquelas noites em que saio para ver as estrelas. Apesar do frio tenho que as ver e mostrar o que há lá em cima a quem nunca viu nada. Em todos os cursos que faço tenho que fazer isto. Ver, observar, perscrutar o firmamento à procura de coisas distantes, de espaços infinitos. A Lua vai esconder-se antes de eu a poder ver, mas fica o resto. E o resto é tudo o que existe. É a imensidão povoada de pontos brilhantes. É a noite escura à nossa espera.
 
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15 novembro 2004
Mensagem para as estrelas
No dia 16 de Novembro de 1974, o radiotelescópio de Arecibo transmitia para o espaço a primeira mensagem destinada a seres inteligentes. A mensagem foi enviada em direcção ao enxame globular M13, em Hércules, onde é possível que existam planetas mais velhos do que a Terra, que já tenham tido tempo de formar vida capaz de perceber mensagens terrestres. A mensagem (em código binário) começa com uma demonstração da forma como são representados os números nesse mesmo código, seguindo-se uma lista dos números atómicos dos principais elementos da vida, além de uma imagem genérica da composição dos nucleótidos e uma imagem do ADN. A mensagem acaba com imagens de um ser humano e do radiotelescópio de Arecibo. Neste momento, já está a 30 anos-luz da Terra, mas vai demorar mais de 20 mil anos a chegar a M13. Esperemos que esteja lá alguém à escuta, embora a resposta seja sempre tardia.

 
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11 novembro 2004
Vamos nós
Vamos nós
pelas margens do silêncio e do luto,
naufragando de noite,
em qualquer vasto escolho,
semear a imensidade
com restos do naufrágio,
ou, levados pela mão,
por uma plaga brilhante,
firmes para sempre na eterna âncora,
abordar adormecidos em qualquer golfo celeste?

Lamartine
 
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O céu nocturno
O céu nocturno sempre exerceu uma certa atracção sobre o espírito humano. Em tempos antigos, quando não havia iluminação pública, o firmamento aparecia aos nossos olhos com todo o seu esplendor, como se as estrelas entrassem pelos olhos dentro. Era impossível não reparar nelas contra o fundo escuro do céu. Só que esta situação mudou com o passar do tempo e hoje em dia o céu já não é tão escuro como em tempos passados, pois encontra-se iluminado por um novo tipo de poluição à qual chamamos poluição luminosa. As luzes das cidades, das vilas e mesmo de algumas aldeias, emitem um clarão imenso de luz para o céu, que ofusca muitas das estrelas do céu. Perde-se assim pouco a pouco o contacto com o céu nocturno, principalmente nas cidades e nas vilas. Mas se formos para o campo ou para a serra, podemos ainda encontrar um céu escuro, livre de poluição luminosa onde é possível contemplar o firmamento tal e qual como ele é. É sobre esse firmamento que vou falar nas próximas 4 semanas em Aveiro. Começa hoje o meu curso de astronomia observacional.
 
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09 novembro 2004
Primos das nuvens
"Somos irmãos das rochas e primos das nuvens"

HARLOW SHAPLEY (citado por Robert Jastrow em "A arquitectura do Universo")
 
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08 novembro 2004
Portal do Astrónomo
Um excelente portal de astronomia em português com notícias constantes e várias secções entre as quais: o tema do mês. Este mês calhou-me a mim falar sobre os rovers em Marte.

Portal do Astrónomo
http://www.portaldoastronomo.org/
 
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07 novembro 2004
Mais Espaço
Embora não seja minha intenção maçar-vos mais uma vez com esta coisa do limite do espaço exterior, há mais umas coisas que gostaria de dizer a este respeito. Em primeiro lugar, que sou um adepto da teoria espacialista, que defende que o espaço exterior pode ser delimitado com base em critérios físicos. Uma das críticas contra esta teoria é de que não existe nenhum critério satisfatório que possa ser tomado em conta para definir tal limite. Mas sobre isto diria que não tem havido é vontade política para o fazer. Acho que se podem usar dois critérios para definir o espaço exterior e que são convergentes. Um deles é a teoria do baixo perigeu, que defende que a fronteira que marca o espaço exterior corresponde ao ponto mais próximo da Terra que um satélite consegue atingir. Actualmente este ponto é de 96 km atingido pelo Skynet 2A e é natural que não desça muito abaixo disto, devido à resistência da própria atmosfera. Ora este valor está próximo dos 100 km e tem a vantagem de não pôr em causa qualquer tipo de actividade espacial nem interferir com actividades aéreas. Por outro lado, é um critério que converge com a teoria aerodinâmica que defende que o espaço exterior corresponde à região em que engenhos terrestres podem movimentar-se sem propulsão artificial e sem grande resistência atmosférica, regidos unicamente pelas leis da Física. Por outro lado, a existência de uma definição rígida não significa que no futuro não pudesse haver uma revisão desse valor de forma a adequá-lo a novos desenvolvimentos tecnológicos ou a novos cenários. Portanto, o que me parece claramente é que tem havido discussão a mais e pouca capacidade de decidir. Certos países parecem mais interessadas em proteger os seus mesquinhos interesses do que em chegar a um consenso alargado sobre esta matéria. Daí que o valor dos 100 km acabou por se tornar num valor consentido informalmente, embora não tenha uma validade jurídica. Mas esta simples questão mostra mais uma vez que a chamada “comunidade internacional” é uma grande ficção em muitas áreas onde é preciso decidir. É notório que muitos países preferem que não haja decisão nenhuma e que tudo fique como está numa espécie de limbo. Portanto, este é um tema em que discussão científica foi há muito substituída pela política.
 
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10 anos
De início era apenas uma paixão. Uma coisa de infância. Um vício. Uma coisa sem futuro. Como qualquer amador não pretendia ganhar a vida através da astronomia. Nem sabia como fazê-lo. Num país de poucos astrónomos, de poucos observatórios, de pouca ciência, que futuro poderia eu ter? Todas as portas se fechavam perante mim. E um dia fui trabalhar para um emprego como outro qualquer. Contrariado é certo, mas lá fui fazer de conta que tinha um trabalho, que tinha um ordenado, que fazia alguma coisa na vida. Foi então que alguém se lembrou de introduzir a astronomia na escola. Num país de poucos astrónomos foi uma ideia luminosa. Ensinar aos meninos o céu, os planetas, as estrelas, as galáxias, o Universo era uma boa ideia. E foi nesse dia que uma pequena porta se abriu para mim. A medida demorou algum tempo a ser implantada, mas há 10 anos atrás a astronomia entrou em força nas escolas. A linguagem dos astros, aquela que eu nunca tinha aprendido nos meus tempos de escola, chegava aos mais novos. Muitos professores ficaram à deriva. Nunca tinham dado tal coisa na vida deles. Muitos aprenderam à sua custa, mas alguns felizardos tiveram a sorte (ou azar) de me encontrar. De ir aos meus cursos, de me incentivar para ir às escolas. E foi assim que tudo começou com a ajuda de todos os professores que ao longo dos anos me convidaram amavelmente para ir às escolas levar a astronomia aos mais pequenos. Devo-lhes muito, pois sem eles não tinha trabalho e já tinha desistido desta cruzada. Mas também devo muito a quem promoveu os meus cursos, a quem se inscreveu neles, a quem andou por lá a ouvir-me. Perdi o número das pessoas que conheci nestes 10 anos de actividade. Sei que cursos foram à volta de 50, mas quanto a escolas já perdi a conta. Há pessoas que já não conheço, outras de que ainda me lembro, outras que ficaram minhas amigas, outras que acompanham o meu gosto pela astronomia. Hoje já não me sinto só como noutros tempos. E o entusiasmo que noto à minha volta dá-me força para continuar. Ás vezes, ainda penso se não poderia fazer outra coisa qualquer, mais certinha, com um ordenado ao final do mês, mas já não consigo imaginar outro trabalho senão este. E mesmo quando o dinheiro que ganho mal chega para pagar as dívidas continuo com esta ambição tola de explicar astronomia. Não sei se ainda cá estarei daqui a 10 anos para somar outra década. Mas espero continuar nisto até um dia cair para o lado, até não poder mais, até a voz me faltar. Talvez insista mais 10 ou 20 ou 30 anos nesta tolice. E um dia, quem sabe, talvez me façam alguma homenagem. Talvez me digam que valeu a pena eu ser tolo. Talvez me recolham da rua onde estarei perdido e sem dinheiro. Ou talvez me encontrem por aí a vender outra coisa para pagar as dívidas. E talvez me digam que um dia me ouviram falar de astronomia e que gostaram e que nunca mais se esqueceram. E talvez por isso me reconheçam e me acolham e me peçam para falar mais um pouco.
 
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05 novembro 2004
Museus
Uma coisa que salta à vista quando olhamos para os museus de ciência em Espanha é que praticamente todos eles possuem actividades na área da astronomia. Muitos possuem mesmo planetários. Penso que isto mostra bem o quanto a astronomia pode ser importante para cativar o público para a ciência. Outra coisa que salta à vista é a dimensão destes museus. Basta consultar os sites para ver isso. É certo que o nosso país também tem vários centros de ciência e até mesmo planetários. Em termos numéricos estamos mesmo a par com a Espanha. Mas o que nos deixa mesmo para trás é a dimensão. Temos pequenos centros, enquanto que em Espanha muitos dos museus são maiores que os nossos. Dirão que eles são mais ricos e tem mais população. É um facto. Mas esta minha comparação serve apenas para dizer que no tempo de Mariano Gago no MCT fizemos muito em termos de centros de ciência e que pelo menos neste sector continua a existir interesse político em crescer. Esperemos que seja um esforço com continuidade e sustentação.

Miramon
http://www.miramon.org/
Casa de las ciencias - Domus
http://www.casaciencias.org/
Museo Hispano de Ciencia y Tecnología
http://mnct.mcyt.es/hispano/default.htm
Parque de las Ciencias
http://www.parqueciencias.com/
Museo Nacional de Ciencias Naturales
http://www.mncn.csic.es/
Museo de la Ciencia y el Cosmos
http://www.museosdetenerife.com/
Ciudad de las Artes y las Ciencias
http://www.cac.es/
Museo de las Ciencias de Castilla-La Mancha
http://www.jccm.es/museociencias
Museo de la Ciencia y el Agua
http://www.cienciayagua.org/
Museo Elder
http://www.museoelder.org/museoelder.html


 
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Einstein
Um dos sítios onde se comemora os 100 anos de Einstein com várias ideias. Quanto a este é da Sociedade Austríaca de Física e também tem bastante informação. Como se pode ver há uma grande movimentação para tornar o Ano Internacional da Física num grande evento. Por cá, sei que a Sociedade Portuguesa de Física também está empenhada no assunto. Parece que vão divulgar o programa de actividades até ao final deste mês. Estou, por isso, curioso em saber o que vamos fazer?
 
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04 novembro 2004
Relatividade
A notícia saiu há vários dias, mas só hoje a meto aqui. Como o próximo ano vai ser dedicado a ele é uma pequena justiça que lhe faço.

Espaço: Cientistas verificam teoria da relatividade - NASA

Washington, 22 Out (Lusa) - Uma equipa internacional de cientistas da agência espacial norte-americana (NASA) e investigadores universitários conseguiram efectuar as primeiras verificações directas da teoria da relatividade geral de Albert Einstein, informa hoje um comunicado da NASA.

Segundo a teoria enunciada por Albert Einstein em 1918, grandes objectos (como a Terra) que giram em torno de si próprios no espaço levam com eles o espaço-tempo um pouco como uma bola de bowling ao rodar em torno do seu eixo, explicou Erricos Pavlis, do centro conjunto de estudos da NASA (Goddard Space Center) e da Universidade de Maryland.
Se a Terra leva na sua rotação o espaço-tempo, isso deverá alterar a órbita dos satélites que evoluem nas proximidades, acrescentou.

Partindo dessa hipótese, Pavlis e o seu colega Ignazio Ciufolini, da Universidade de Lecce (Itália), mediram com precisão os desvios de órbita de dois satélites (LAGEOS I e LAGEOS II) com a ajuda de raios lazer emitidos por estações terrestres.
Esses satélites são objectos passivos revestidos de retro- reflectores de forma a reflectirem as pulsões luminosas.

"Descobrimos que os eixos das órbitas dos dois satélites sofreram uma alteração de dois metros por ano na direcção da rotação terrestre", precisou Erricos Pavlis.
"As nossas medições correspondem a 99% (a mais ou menos 5%) do que é previsto pelos cálculos realizados segundo a teoria geral da relatividade", afirmou.

A equipa de investigadores analisou os dados obtidos pelas medições com raios lazer num período de dez anos (1993-2003) recorrendo a um método concebido por Ciufolini em 1993.
As medições exigiram a utilização de um modelo extremamente preciso do campo gravitacional da Terra chamado "EIGEN-GRACE02S" elaborado recentemente.

A sonda Gravity Probe-B (GP-B) da NASA, colocada em órbita a 20 de Abril passado, deverá também verificar ainda com maior precisão, dentro de alguns meses, a teoria de Einstein.
A Gravity, concebida pela Universidade de Stanford (Califórnia) e construída pelo grupo aeonáutico Lockheed Martin, transporta quatro giroscópios sofisticados, cada um do tamanho de uma bola de ping-pong, que fornecerão um sistema de referência espaço- tempo quase perfeito.
A missão, orçada em 600 milhões de dólares e cujo projecto remonta há 45 anos, deverá durar 16 meses.

Para testar a teoria da relatividade geral, a GP-B começou a vigiar qualquer movimento ínfimo do eixo de orientação dos giroscópios graças a um telescópio orientado para um ponto de referência, a estrela IM Pegasi.
 
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Álgidas paisagens
Quando o imortal Galileu observou Saturno pela primeira vez ao telescópio anunciou assim a espantosa descoberta: "Altissimum planetam tergeminum observavi" (Observei que o planeta mais alto é constituído por três corpos). Pensava ele que eram satélites à volta de Saturno. Mais tarde Huygens viu que eram anéis. Hoje quando olhamos para eles pelos olhos da Cassini vemos algo de fabuloso que nem o imortal Galileu poderia imaginar. Álgidas paisagens.

 
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Vermes na noite escura
A noite abriu um pouco. Depois da chuva é bom ter as estrelas de regresso. Brilham como lágrimas de luz suspensas nas insondáveis profundezas do céu. Algumas terão planetas. Muitos inóspitos e terríveis, mas alguns de paisagens meigas e doces, de noites suaves e breves como as nossas. E nós vermes rastejantes perguntamos onde estão esses outros vermes diferentes de nós? Que pensarão eles dos nossos negros dramas? Das nossas ambições? Dos nossos egoísmos insaciáveis? Dos nossos orgulhos desmedidos? Das nossas tolices? Saberão eles o que isso é? Ser verme e ter a mania das grandezas?
 
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03 novembro 2004
O que é o espaço?
Onde é que o espaço começa? No post anterior já tinha desenvolvido o assunto, mas dava aqui mais uma achega. O critério dos 100 km tem a ver com o facto de a essa altitude já não ser possível garantir a sustentação de um avião. Mas podemos também dizer que o espaço começa no chamado patamar dos satélites, ou seja, acima de uma linha em que a densidade do ar não seja excessiva para que um satélite possa efectuar algumas órbitas. Como não existem praticamente satélites abaixo dos 150 km de alitude, podemos dizer que esta linha fica situada nessa zona, embora alguns satélites consigam atingir altitudes mais baixas de forma pontual. Isto não significa obviamente que a atmosfera termine nos 150 km. Sabemos que esta se estende a altitudes maiores e que até 600 km consegue provocar arrastamento nos satélites em órbitas baixas. Mas é um facto que a alta atmosfera já se encontra no espaço e que as suas características a tornam diferente das camadas atmosféricas inferiores onde a sustentação aeronáutica ainda é possível. Portanto, não se pode definir o espaço como sendo o fim da atmosfera terrestre. A definição dos 100 km parece ser assim razoável. No entanto, tenho que admitir que é apenas um limite informal ainda não regulamentado a nível internacional.
 
posted by Jose Matos at 15:44 | Permalink | 0 comments
01 novembro 2004
Onde começa o espaço?
Numa lista de discussão de astronomia surgiu a pergunta sobre onde é que começa o espaço? O que marca a fronteira entre a atmosfera e o espaço exterior? O meu amigo Alberto Fernando deu uma boa resposta que fica aqui registrada.

Talvez um pouco incorrectamente, assume-se, por vezes, que o espaço começa no limite exterior da atmosfera da Terra. Não é esse o entendimento da Federação Aeronáutica Internacional (FAI), fundada em 1905, e que é aceite como o organismo que estabelece os padrões para a Aeronáutica e a Astronáutica. Ora a FAI estabeleceu a altitude de 100 km (62 milhas) como fronteira do espaço. Esta altura (tecnicamente, 100 km acima do nível médio do mar) também é conhecido como "Karman line", por referência a Theodore von Kármán. Acima desta altitude, a atmosfera não tem a densidade suficiente para que qualquer engenho possa ser operado por meios aerodinâmicos. É este pormenor que é considerado determinante. A generalidade dos milhares de satélites têm órbitas a distâncias, em relação à superfície da Terra, inferiores a 400 km. Podemos, sem receio, dizer que se trata de engenhos espaciais. Assim, onde começa o espaço, é uma questão de convenção. Mas não parece muito convincente o argumento de o espaço começar no limite exterior da Exosfera, pois não parece haver qualquer alteração significativa entre a Exosfera e o espaço exterior, ao contrário do que acontece a cerca de 100 km, em que os efeitos aerodinâmicos desaparecem ou se tornam tão pequenos que não mais é possível manobrar engenhos ou produzir impulso pelo recurso à atmosfera aí existente.

 
posted by Jose Matos at 21:05 | Permalink | 0 comments
O regresso do vaivém
A NASA vai voltar a enviar vaivéns para o espaço a partir de Maio de 2005. Desde o acidente do ano passado com o Columbia que a agência espacial norte-americana não retomava o seu programa de voos tripulados, um regresso que também foi atrasado pela passagem de furacões pela Florida, onde está o Centro Espacial Kennedy.
O programa de lançamento tem sido várias vezes adiado. A última data apontada era Março, mas os furacões inviabilizaram estas intenções, noticiou a CNN. Duas destas tempestades atingiram Cabo Canaveral, afectando as instalações onde são montados os vaivéns. Outros dois furacões passaram perto, o que levou os trabalhadores a terem de tomar precauções para proteger as naves, o que também atrasou os trabalhos.
Agora, a NASA aponta para o intervalo de tempo que vai entre 12 de Maio e 3 de Junho para o próximo lançamento. O vaivém Discovery será o primeiro a sair para o espaço.

in Público de 1 de Novembro
 
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Relógio de Sol
O Spirit já mandou para a Terra 50 mil imagens. A foto que marca o número recorde é esta. O relógio de Sol.


 
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